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Tiana Cardeal, é homenageada como a travesti mais velha do Brasil


 Reconhecimento 🏳️‍⚧️


Aos 92 anos, Tiana Cardeal entrou pela primeira vez em um avião para deixar Governador Valadares, no leste de Minas Gerais, rumo a São Paulo (SP). A viagem, realizada em novembro, marcou não apenas uma estreia tardia nos ares, mas a ocupação inédita de espaços públicos de reconhecimento de sua própria história. Mulher trans, negra e idosa, Tiana foi à capital paulista para participar do lançamento do projeto Narrativas Negras Não Contadas, no Museu Afro Brasil, e da estreia do curta "Meu Nome É Tiana", dirigido por Dafny Bastet, no Festival Nicho Novembro.


Reconhecida por entidades como a Antra, a ABGLT e a RedLacTrans como a pessoa trans mais velha do país, Tiana construiu quase toda sua vida em Governador Valadares, onde mora há mais de cinco décadas. Católica, mantém uma rotina marcada pela fé, pelo convívio comunitário e pela presença constante na paróquia do bairro. Respeitada por vizinhos e frequentadores da igreja, é descrita como um “patrimônio do bairro”, alguém que nunca escondeu quem é e que transformou a convivência cotidiana em forma de resistência silenciosa.


Sua trajetória, no entanto, foi atravessada por trabalho precoce, violência e extrema precariedade. Criada em ambiente rural, trabalhou desde a infância em condições duras e, já adulta, viveu de serviços domésticos e informais em cidades como Brasília (DF). As memórias surgem fragmentadas, mas carregadas de dor e sobrevivência. “A minha vida foi uma vida muito sofrida”, resume, sem dramatização. Ainda assim, a persistência se impôs como método: acordar cedo, trabalhar sem garantias e repetir para si mesma que seguiria viva.


O reconhecimento tardio veio por meio da mobilização social e artística, não do Estado. A partir do encontro com Bastet e do trabalho iniciado pela produtora cultural Bianka Gomes, falecida em 2022, a história de Tiana passou a ser registrada e compartilhada. Para ativistas como Keila Simpson, da Antra, sua vida representa uma memória coletiva e uma exceção que revela a regra da morte precoce entre pessoas trans no Brasil. 

#BrasildeFato

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