A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu, nesta sexta-feira (29), a votação sobre a revisão da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek e decidiu que JK foi morto pela ditadura militar em 1976.
O parecer apresentado pela relatora Maria Cecília Adão foi aprovado por seis votos, com uma abstenção, e passa a substituir oficialmente a versão de que o ex-presidente teria morrido em um acidente de carro, conforme apontava a versão oficial da época.
Durante entrevista coletiva realizada na tarde desta sexta-feira no Ministério Público Federal, em São Paulo, a comissão informou ainda que o registro de óbito do político será alterado para incluir "morte responsável pelo Estado" como causa oficial.
Apesar do avanço das investigações nos últimos meses, a família do ex-presidente mineiro informou que não pretende mais dar continuidade às apurações.
O relatório, com mais de mil páginas, afirma que "Juscelino Kubitschek foi cassado e perseguido pela ditadura militar". O documento também aponta que a percepção e os discursos dos militares da época indicavam que o ex-presidente era visto como um "inimigo" e tinha grandes chances de vencer as eleições de 1965.
"A percepção ou o discurso público dos militares e dos órgãos de comunicação a eles ligados era a de que Kubitschek seria um inimigo, discursivamente tratado como agente da 'infiltração comunista', 'varguista', 'aliado de Jango'. Além disso, para os militares, Juscelino Kubitschek era candidato fortíssimo à próxima campanha presidencial, que ocorreria em 1965. Juscelino Kubitschek venceria as eleições: era necessário que o golpismo o removesse da frente", destaca o documento.
O texto conclui ainda que houve fraude na perícia realizada à época, além de alterações na cena da morte e nos laudos médicos. O relatório também sustenta que JK sofreu diversas ameaças de morte e tentativas de neutralização antes do crime.
Foto: Antônio Lúcio/Estadão

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