O Plano Municipal de Saúde de Natal 2026 a 2029 aponta uma série de problemas na saúde pública da capital potiguar, entre eles o recorde de casos de AIDS em adultos, baixa cobertura vacinal infantil, aumento de arboviroses, dificuldades no saneamento e baixa taxa de cura da tuberculose. O documento foi aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde e publicado no Diário Oficial do Município nesta terça-feira (11).
O maior número de casos de AIDS da série apresentada foi registrado em 2024, com 733 ocorrências, contra 431 em 2020. O plano também aponta crescimento da sífilis adquirida, que passou de 729 para 1.818 casos no período, e das hepatites virais, que subiram de 102 para 191 registros.
Entre as doenças analisadas, a sífilis congênita apresentou redução, mas ainda registrou 205 casos em 2024. O diagnóstico destaca a necessidade de ampliar as ações de prevenção, acompanhamento e assistência à população.
Vacinação preocupa e fica abaixo da meta
A cobertura vacinal infantil também aparece entre os principais alertas. Em 2024, diversas vacinas ficaram abaixo das metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, como a pentavalente, com 76,4%, a poliomielite, com 76,3%, e a segunda dose da tríplice viral, com 62,9%.
A situação é ainda mais crítica em alguns imunizantes. A cobertura da vacina contra a dengue entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos foi de 33%, enquanto a vacinação contra a Covid-19 em crianças de 6 meses a 4 anos chegou a apenas 25,5%. A imunização contra o HPV ficou em 86,5%, abaixo da meta de 95%.
Segundo o plano, a baixa cobertura aumenta o risco de reintrodução e circulação de doenças imunopreveníveis na capital.
Menos da metade tem acesso a esgoto
No saneamento, o documento mostra que apenas 43,7% da população de Natal é atendida por esgotamento sanitário. O abastecimento de água alcança 90,1% dos moradores, mas 74.883 pessoas, equivalentes a 9,54% da população, ainda não têm acesso ao serviço.
A coleta de resíduos domiciliares atende 98,9% da população, embora 8.096 habitantes permaneçam sem o serviço. O plano também alerta para áreas vulneráveis a alagamentos e inundações, incluindo regiões de Planalto, Cidade Nova, Vila de Ponta Negra, Rocas, Ribeira, Santos Reis e trechos da orla.
As arboviroses também continuam sendo um desafio. A dengue saltou de 1.080 casos em 2020 para 16.227 em 2022. Após cair para 3.118 em 2023, voltou a subir em 2024, com 7.072 registros. Chikungunya e zika também apresentaram aumento em 2024.
Tuberculose tem baixa taxa de cura
Outro alerta está relacionado à tuberculose pulmonar. Natal registrou 490 casos em 2024, acima dos 473 registrados em 2020. Considerando todas as formas da doença, foram 564 registros no ano passado.
O principal problema, porém, está na taxa de cura. O índice caiu para 50,64% em 2024, muito abaixo da meta nacional e internacional de 85%. Em 2020, a taxa era de 62,16%.
O plano também aponta que Natal ainda não alcançou a meta de redução da mortalidade infantil. Foram 104 óbitos infantis em 2024, enquanto o número de nascidos vivos caiu de 10.830, em 2020, para 8.440, em 2024.
Metas previstas até 2029
Para enfrentar os problemas identificados, a Prefeitura de Natal estabeleceu uma série de metas para os próximos quatro anos. Entre elas estão:
• Construção de 5 unidades básicas de saúde;
• Ampliação da cobertura da atenção primária para 85%;
• Implantação de um Centro de Atenção Psicossocial III (CAPS III) na Zona Norte;
• Construção de um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS) na Zona Norte;
• Implantação de uma policlínica na Zona Norte;
• Construção de duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) porte 4;
• Conclusão do novo Hospital Municipal;
• Implantação de um Centro de Imagem Municipal;
• Realização de concurso público;
• Revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários;
• Reativação e ampliação dos conselhos locais de saúde.
O Plano Municipal de Saúde será a base para o planejamento da rede pública de Natal entre 2026 e 2029, orientando investimentos e ações para enfrentar os problemas apontados no diagnóstico.

0 Comentários